Resumo
O trabalho se inicia a partir da inquietação acerca das grandes transformações sofridas na região portuária do Rio de Janeiro - em específico na área compreendida entre o AquaRio e a Rodoviária Novo Rio. Dentre tantos questionamentos, o central foi investigar como morros, elevados, ruas, galpões e o próprio mar desaparecem e rompem as relações construídas com a cidade? Com esta indagação, baseando-se no trabalho “Cidades de Escavação Artificial”, de Peter Eisenman, propõe-se revelar as diferentes cidades presentes no porto carioca para entender o não-lugar que se formou. Por meio da coletânea cartográfica, iconográfica, da análise e da própria deriva no espaço, percebe-se os índices presentes e as eventuais rupturas e elos na cidade, na paisagem e na maneira de interagir com o espaço. Através do estudo realizado, desenvolveu-se uma metodologia com três categorias: elementos, ações e derivações. Os elementos observados - armazém, galpão, equipamento portuário, porto, elevado, túnel, equipamento de construção, arranha-céu, ruína e ilha - se manifestam como os índices desse território e são causa e consequência das ações feitas ao longo dos 460 anos da cidade. Construir, demolir, reconstruir, aterrar, escavar, preservar, arruinar, isolar, obstruir e desvelar provocam derivações de conexão, proteção, ruptura, retraimento, expansão, que permeiam os extremos entre a destruição em massa e a preservação total. Portanto, é possível imaginar uma cidade proveniente das mesmas ações/derivações, suspensa no entre-lugar e em sua própria entropia?
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