Resumo
INTRODUÇÃO Entre giros e folhas, o espaço público verde enquanto palco de manifestações do corpo é capaz de reconectar a essência da alma ao cosmos. E reestabelecer o ser humano ao seu pertencimento a um todo - a vida, o reaproximando dos conhecimentos ancestrais, da sua lida com o meio em que habita junto a gestos de um tempo ancião. A sua voz com a floresta é a sua voz coletiva, capaz de transformar e interromper os movimentos acelerados e enfermos de pensar a cidade não sustentável. Por meio deste TFG2, um processo projetual é testado buscando pensar um parque verde composto por camadas que são as raízes re ferenciais, são elas: a ancestralidade afrodiaspórica, o candomblé Jeje como matriz de fé africana em recorte, o território boêmio da Lapa como terreiro e, especificamente, os saberes do livro “O que as folhas cantam” por mãe Stella de Oxóssi na catalogação das espécies aqui experimentadas. TERRITÓRIO O bairro Lapa tem sua localização na zona central da cidade do Rio de Janeiro, o recorte de atuação ocorre de frente ao antigo aqueduto, onde há duas praças, chamadas: Cardeal Câmara e Monsenhor Francisco Pinto. O qual encanta por sua produção cultural diversa, tão sensível ao território e que faz circular o axé por meio da cultura negra em grupos e equipamentos culturais imediatos, como: Teatro do Oprimido, Tá Na Rua Coletivo Teatral, Baque Mulher, coletivos de maracatu Tambores de Olokun, Rio Maracatu e Agytoê, capoeira, dança do coco, conexão ao Santuário Zé Pelintra, o espaço cultural Circo Voador e tantos blocos de carnaval. PROJETO E PROPÓSITO Pensar um Parque Botânico aos Orixás sobre âmbitos e atividades que se retroalimentem da circulação do axé, essa energia vital presente em cada pessoa e em todas as coisas, assim como um chão de terreiro. Para esclarecer e tornar mais palpável, uma setorização foi definida construindo uma leitura ao parque em 6 áreas chamadas de zonas familiares, são elas: Exu, Ogun, Família Fogo, Família Unji, Família Fun Fun e Família Água. Essas zonas se baseiam na planta baixa de um terreiro da Nação EFON - lle Idúnnnú Agbébé Ólorokuet que esta pesquisa buscou conhecer e analisar enquanto organização do espaço físico de seus Orixás dentro da casa. Além, de somar estudo e catalogação das plantas que tem suas energias voltadas a estas famílias. Por último e tão importante quanto, o gesto de pensar espaços comuns que introduzem e atraem cuidados ao povo de rua da Lapa, que existem em ações pontuais e sem estrutura adequada.
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