Resumo
Vivemos em uma sociedade marcada por conflitos armados, perseguições políticas e crises humanitárias que têm provocado, cada vez mais, o deslocamento forçado de milhões de pessoas ao redor do mundo. Nesse cenário, a figura do refugiado se impõe como um dos grandes desafios contemporâneos — não apenas pelo impacto dos deslocamentos em massa, mas pelas transformações sociais, culturais e espaciais que essa presença demanda nos territórios de acolhimento. Este Trabalho Final de Graduação nasce do corpo em trânsito, da história interrompida, do vazio deixado por quem precisou partir. É um gesto arquitetônico que busca oferecer não apenas abrigo, mas dignidade, escuta e possibilidade de recomeço. Porque a arquitetura não apenas oferece abrigo — ela pode reconstruir vidas, restaurar vínculos, criar pertencimento. Implantado no Centro do Rio de Janeiro, entre as camadas históricas, afetivas e urbanas da cidade, o Centro de Acolhimento para Refugiados propõe um espaço onde a pausa seja possível, onde a memória encontre lugar e onde novas histórias possam germinar. Jardins que convidam ao encontro, sombras que acolhem, caminhos que se cruzam e se reconhecem: o projeto se constrói como um campo fértil para o convívio, a empatia e a reconstrução. Mais do que acolher o estrangeiro, o projeto reconecta a cidade à sua vocação social. Ele transforma o tecido urbano ao plantar possibilidades de reencontro, ao oferecer escuta onde antes havia silêncio, e ao afirmar que a arquitetura humanitária tem o poder de restaurar aquilo que foi interrompido — seja na escala da cidade, da comunidade ou do indivíduo.
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