• Autor Adrielly de Oliveira Lira
  • Ano 2025/1
  • Tema(s)
  • Localização -22.8019428, -43.2020043
  • Orientador Ana Paula Polizzo
  • Coorientador ---
  • Resumo

    Denominar o sistema urbano contemporâneo como “desastre metropolitano” é salientar impactos negativos da industrialização, que buscou se distanciar de um modo de vida “antiquado” em benefício das possibilidades adquiridas com a mecanização e, teve como modus operandi a depauperação sucessiva de recursos naturais em defesa do “progresso”. Para repensar a relação com as formas de produção e consumo frente às consequências das mudanças climáticas no mundo contemporâneo, retomar práticas de pequena escala pode ser uma alternativa. Nesse sentido, a produção de alimentos para autoconsumo não é novidade: práticas agrícolas indígenas e quilombolas estão profundamente associadas à cultura brasileira. No entanto, com o processo de colonização e contínuo adensamento populacional dos centros urbanos, a produção de alimentos foi submetida a uma lógica industrial e, as plantas alimentícias foram colocadas à margem das grandes cidades. Na contemporaneidade, apesar do contínuo afastamento entre a casa e o plantio de alimentos, existem iniciativas de resgate da produção no ambiente domiciliar, ainda que em pequena escala. Essas experiências de cultivo remanescentes salientam a necessidade por outras formas de habitar. A presente pesquisa tem como objetivo fomentar o debate arquitetônico e urbanístico para a produção de arquiteturas mais integradas com a agricultura urbana sem intenções de oferecer soluções abrangentes para todos os desafios relacionados à produção de alimentos em escala global, privilegiando especialmente a retomada do espaço do quintal dos lotes como espaços de produção. O objetivo específico é representar, analisar e compreender práticas de cultivo que estão sendo realizadas nos quintais da Ilha do Governador, na cidade do Rio de Janeiro, para assim, compreender como esse conjunto de práticas, plantas, animais, relações e formas de habitar, que são relevantes para a reflexão epistemológica da arquitetura. Com o intuito de explorar rumos onde seja realidade cidades em que a terra fértil e a comida voltem a ser residentes, o trabalho busca representar o movimento, o tempo, os afetos, os seres e as relações entre eles, para construir um conjunto de informações que registram as camadas simbólicas, humanas, afetivas e temporais associadas com a prática, por meio de conversas e desenhos. Por fim, delineia esboços de uma agenda de como colocar-se criticamente enquanto arquitetos-produtores que podem projetar espaços repletos de vida.


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